"Não podemos aceitar salvo-conduto para matança", diz Luciano

Em entrevista publicada nesta segunda-feira no jornal O Dia, o presidente da OAB/RJ, Luciano Bandeira, analisou a política de segurança do governo do Rio de Janeiro e criticou o abate de criminosos com fuzis. Ele também se disse preocupado com o pacote anticrime do governo Bolsonaro. Leia a entrevista completa abaixo: Vencedor da última eleição para presidente da OAB/RJ do próximo triênio, Luciano Bandeira, de 48 anos, criticou a iniciativa do governador Wilson Witzel (PSC) de querer abater bandidos com fuzis. “Não podemos aceitar o salvo-conduto para a matança indiscriminada”. Em entrevista à Coluna, Bandeira também disse ver com preocupação o pacote anticrime anunciado pelo governo Jair Bolsonaro. Segundo ele, é preciso, primeiro, haver um debate com a sociedade.   O DIA: O Flamengo e a Prefeitura do Rio devem ser responsabilizados pelo incêndio no CT? LUCIANO BANDEIRA: Em tese, sem examinar os documentos que envolvem a questão, ambos podem ser responsabilizados. A Prefeitura pela omissão na fiscalização e o Flamengo pelo risco assumido ao colocar os jovens em alojamento que, parece, era inadequado.   O que achou do pacote anticrime do governo Jair Bolsonaro? Vejo com respeito, mas com preocupação. A pretensão de promover mudanças profundas e radicais no ordenamento necessita de uma análise calma, pausada e serena. Não convém aprovar o projeto sem ouvir especialistas, sociedade e sem o aprofundamento parlamentar do debate. Justamente para que não ocorra a mitigação dos princípios constitucionais.   O que deve ser aperfeiçoado? A OAB-RJ dará sua contribuição com uma audiência pública com a categoria, juristas e interessados para avaliar, inclusive tecnicamente, o projeto em sua forma e conteúdo.   A Alerj deve dar posse aos seis deputados que estão presos? Parece-me que a questão já está judicializada, com decisão contrária à liberação dos presos. E assim está sendo aplicada a previsão regimental da Casa, que pressupõe a presença do eleito para a posse.   É a favor de abater bandidos com fuzis como defende o governador Wilson Witzel? A OAB-RJ, defensora intransigente dos diretos e garantias inpiduais, não pode coonestar proposta tão desatinada como esta. O combate à criminalidade deve observar critérios de inteligência e investigação, reservando o aparato repressivo a casos de absoluta necessidade. Não podemos aceitar o salvo-conduto para matança indiscriminada.   Qual deveria ser a prioridade do novo governo do Rio? Organizar o estado, resgatando as condições econômicas e sociais. E há de se incluir as forças sociais, valorizando políticas públicas que melhorem as condições da população.   E o caso Marielle? Não teve solução até hoje. A impunidade trará a certeza do quanto nossa democracia está fragilizada. Mas confiamos no aparato investigativo e esperamos que os facínoras sejam identificados e punidos.
11/02/2019 (00:00)

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